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A volatilidade do bitcoin está perto do fim da calmaria?

Bernardo Pascowitch

Bernardo Pascowitch

Publicado 15/out

A volatilidade do bitcoin está perto do fim da calmaria?

A volatilidade do bitcoin comprimiu para os menores níveis desde 17 de agosto. As opções de sete dias indicam uma oscilação anualizada de cerca de 32%, e as de 30 dias, perto de 35%, menos da metade da média histórica do ativo, que gira em torno de 80%. Em outras palavras: o preço anda de lado na casa dos US$ 80 mil e o mercado não está pagando caro por proteção. A pergunta é se essa calma antecede um novo evento de liquidação e volatilidade.

A resposta honesta é que ninguém sabe, mas há contexto importante para observarmos. Historicamente, bitcoin e criptomoedas costumam ter entre três e quatro grandes eventos de liquidação e volatilidade por ano. O mais marcante de 2026 foi entre janeiro e fevereiro, quando o bitcoin caiu de cerca de US$ 95,6 mil para US$ 62,8 mil em três semanas, uma perda de aproximadamente um terço. Depois, tivemos volatilidade no começo de junho e, mais recentemente, na segunda metade de agosto, quando houve a maior liquidação de apostadores de baixa da história do bitcoin. Por isso, ainda é possível que tenhamos um último evento relevante antes do fim do ano.

Um outro ponto importante para observarmos é que o intervalo entre os episódios de volatilidade costuma ser de três a quatro meses. É um padrão interessante que acontece há muitos anos, justificando os três a quatro episódios de volatilidade por ano. Se a última grande volatilidade aconteceu em 17 de agosto de 2026, ainda poderemos ter alguma lateralização até a segunda metade de novembro deste ano.

De toda forma, é importante saber que volatilidade baixa não diz a direção. Dados da Hodlometer mostram que a menor leitura do índice de volatilidade implícita (DVOL) de todo o período analisado ocorreu 18 dias antes da máxima histórica de outubro de 2025, que foi seguida por uma queda forte. Ou seja, a calmaria pode anteceder tanto altas quanto quedas. A volatilidade comprimida aponta para uma explosão em breve, mas não confere uma direção precisa para isso.

O calendário econômico traz gatilhos próximos: o CPI americano, divulgado nesta quarta-feira (14), a decisão de juros do Federal Reserve em 28 de outubro e o índice de inflação PCE em 29 de outubro. São alguns eventos importantes que poderiam trazer nova volatilidade. Ou até mesmo as eleições de meio de período dos Estados Unidos marcadas para 3 de novembro de 2026. Um gatilho importante que, historicamente, traz quedas para o bitcoin.

Por isso, a leitura correta aqui não é uma previsão, mas uma condição: se o preço perder a região de US$ 75 mil, onde se concentram opções de venda, o risco de um movimento acelerado por liquidações aumenta. Se, ao contrário, avançar em direção a US$ 92 mil, onde se acumulam opções de compra, quem está vendido pode ser forçado a recomprar. São alguns dos pontos interessantes de rompimentos que precisamos observar.

Em grande resumo, a compressão de volatilidade é sinal de atenção, não de direção. Em momentos assim, vale revisar o tamanho das posições e evitar alavancagem, justamente o combustível das liquidações. Para quem acumula bitcoin de forma recorrente, a volatilidade baixa não muda o plano, desde que esteja de acordo com o seu perfil de risco.

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