Vencimento do Tesouro IPCA+, fique atento!
No dia 15/08/2026, ocorrerá o vencimento de duas séries de NTN-B (Tesouro IPCA+), liberando aproximadamente R$ 260 bilhões no mercado financeiro brasileiro. Esse volume expressivo de recursos representa uma importante janela de realocação de carteiras, e o timing não poderia ser mais oportuno: os juros reais negociados hoje estão em patamar raro na série histórica.
A performance dos títulos ao longo do período foi excepcional, com retorno acumulado que superou com folga tanto a inflação quanto o CDI. Essa trajetória reforça a eficácia da estratégia de investimento em renda fixa indexada à inflação ao longo de um ciclo completo.
Diante do vencimento, surge a questão estratégica sobre o direcionamento desses recursos: reinvestir em novos títulos IPCA+ e travar o prêmio de juro real atual, ou buscar alternativas de investimento com melhor relação risco-retorno no cenário macroeconômico vigente. Nossa análise aborda as principais variáveis que devem orientar essa decisão de alocação.
Boa leitura!
Qual foi o retorno? Valeu a pena?
Conforme previsto, no dia 15/08/2026 ocorrerá o vencimento de algumas series da NTN-B (Tesouro IPCA+), disponibilizando recursos significativos para reinvestimento por parte de diversos investidores, aproximadamente R$ 260 bilhões.
A análise da performance demonstra que a estratégia adotada superou amplamente as expectativas. O retorno acumulado desde 2016 até a primeira semana de agosto de 2026 alcançou 255,9% no papel de maior retorno e 234,3% no segundo, ante 164,2% do CDI no mesmo período, um excesso de retorno entre 70 e 92 pontos percentuais sobre o benchmark. É a combinação de proteção inflacionária com prêmio de juro real que faz esse tipo de título se destacar em horizontes longos.

Uma das características dos títulos indexados à inflação é a volatilidade de marcação a mercado ao longo do caminho, especialmente sensível a mudanças na percepção de risco fiscal e na trajetória de juros reais. Contudo, conforme evidenciado no gráfico anterior, quem manteve o título até o vencimento colheu o prêmio de risco de forma consistente e superou com folga as alternativas pós-fixadas.
A relação risco-retorno observada reforça a atratividade do IPCA+ para quem tem paciência para carregar o título até o vencimento e, como veremos a seguir, o momento atual de reinvestimento chega em um contexto de juros reais particularmente favorável.
Onde reinvestir? A hora é agora
O cenário de juros atual é o que torna esse vencimento especialmente oportuno. A Selic está em 14,00% ao ano, com o IPCA rodando em 4,64% ao ano, e os títulos Tesouro IPCA+ vêm pagando juro real na casa de 7% a mais de 8% ao ano, dependendo do vencimento. Esse patamar é raro: taxas reais acima de 7,5% ao ano foram observadas em 2015/16 e 2008.

O gráfico acima deixa claro o quão descolado o patamar atual está da média histórica da série, e é justamente esse tipo de janela que justifica reforçar a posição em IPCA+ no momento do reinvestimento, em vez de simplesmente rolar os recursos para pós-fixado.
Para quem tem horizonte mais curto ou prioriza liquidez, o Tesouro Selic segue como uma opção sólida, ainda pagando um retorno nominal elevado frente à média histórica. Já para investidores com horizonte mais longo, os vencimentos intermediários e longos do Tesouro IPCA+ (como 2032, 2040 e 2050) oferecem a oportunidade de travar um prêmio de juro real acima da média histórica por muitos anos, algo especialmente valioso para objetivos como aposentadoria ou educação dos filhos, dado o efeito dos juros compostos sobre um retorno real elevado.
Por fim, caso busque retorno ainda superior, existe a possibilidade de recorrer ao crédito privado. Este último oferece taxas mais atrativas, muitas isentas de Imposto de Renda, mas com risco proporcionalmente maior, vale reforçar a importância da diversificação na alocação desses recursos.
